terça-feira, 30 de junho de 2009

Debora Ventorim de Tassis e Suelen Mauro Delarmelina






Cidades Invisíveis – Ítalo Calvino
“Ignoro se Armila é dessa maneira por ser inacabada ou demolida, se por trás dela existe um feitiço ou um mero capricho. O fato é que não há paredes, nem telhados, nem pavimentos: não há nada que faça com que se pareça com uma cidade, exceto os encanamentos de água, que sobem verticalmente nos lugares em que deveria haver casa e ramificam-se onde deveria haver andares: uma floresta de tubos que terminam em torneiras, chuveiros, sifões, registros. A céu aberto, alvejam lavabos ou banheiras ou outras peças de mármore, como frutas tardias que permanecem penduradas nos galhos. Dir-se-ia que os encanadores concluíram o seu trabalho e foram embora antes da chegada dos pedreiros; ou então as suas instalações, indestrutíveis, haviam resistido a uma catástrofe, terremoto ou corrosão de cupins.”

Escolhemos a cidade de Armila, a cidade dos encanamentos. Começamos o trabalho modelando um espaço e tubos no Sketch Up. Nesse espaço inserimos, com o Photoshop, fotos de encanamentos e de água. Como plano de fundo escolhemos a imagem de um sertão, representando a seca da cidade, que só tem as águas que passam pelos encanamentos.
Em Armila, não há nada além do que as imagens representam. Dessa forma, tentamos mostrar os encanamentos em um grande vazio, onde não há nada nem ninguém. Toda a vida da cidade está contida nas águas que passam dentro de seus tubos e desembocam em torneiras, chuveiros, etc.

Flávia Soares e Marlon Manthay


As Cidades Invisíveis: Valdrada e Fílide


Valdrada (fragmento do texto)
“Os antigos construíram Valdrada à beira de um lago com casas repletas de varandas sobrepostas... Deste modo, o viajante ao chegar depara-se com duas cidades: uma perpendicular sobre o lago e a outra refletida de cabeça para baixo. Nada existe e nada acontece na primeira Valdrada sem que se repita na segunda, porque a cidade foi construída de tal modo que cada um de seus pontos fosse refletido por seu espelho...”


Fílide (fragmento do texto)
“Ao chegar a Fílide, tem-se o prazer de observar quantas pontes diferentes entre si atravessam os canais: pontes arqueadas, cobertas, sobre pilares, sobre pilares, sobre barcos, suspensas...”


Processo de elaboração do exercício:
Assim como Polo tentava exemplificar as cidades por onde passou a Kublai, nos tentamos mostrar através da montagem de fotos no Photomerge e a inserção de elementos modelados e construídos através do SketchUp, uma cidade que na verdade é um espelho e se reflete nas águas que passam abaixo das pontes que ligam pontos da cidade. Destacamos determinados pontos da cidade, como as casas com varandas e as pontes, e seus reflexos por utilizar um estilo de saturação ao redor, evidenciando e mesclando as duas cidades.
Para as casas, exportamos arquivos do SketchUp e para os reflexos utilizamos ferramentas como filtro, dissolver, opacidade, saturação para criar um aspecto mais natural sobre a água.